terça-feira, 23 de agosto de 2016

“Labutenta”, a alegria do bom amadurecimento sob o signo de Legbá


 
 
Espalhando o tapete da maturidade por sobre tudo.

 Legbá é realmente uma figura singular da religião Vodun. Dentre  todos os aspectos surpreendentes que identificam essa personagem, está a sua visão de moral e de decência, por não se enquadrar nas premissas cirstãs de admissão de divindades e personagens santificados que encarnam um bem e uma virtude distantes do ser humano que luta pela sobrevivencia sobre a superficie do planeta terra.Ou seja,Legbá como outros Voduns e Orixás, é real e próximo do homem.
            Para a imensa maioria do popular segmento afro-religioso quêto-nagô, Legbá é Exú, e com tal, é um dos Orixás mais importantes tanto da tradição e culto orixá, quanto do culto a Ifá, o deus que dita o destino das pessoas e só revela o conteúdo a Exú. Os cristãos e os muçulmanos vêm desde muito tempo tentando denegrir a figura desse orixá, equiparando-o com seu próprio satã, diabo, demónio, Lucífer e outros malfeitores das suas respectivas religiões.Em verdade, Exú é um Orixá tão bom quanto os outros. Na África, as pessoas que nascem sob o signo de Exú, ou seja, que são filhos dele, tendo s devotos tem nomes como Exúyemi, Exúkayode, Exúbunmi, Exúkorede, Exúyomi, Exúfunmike, Exúfunmilade, Exúwemimo, Exútoosin, Exútola, Exújide, Exútunde, Exútunmise, Exúrinde, Exúfunmilayo e assim por diante. Exú é celebrado em festivais anuais na Nigéria e em várias outras cidades e vilas que compõem a Iorubalândia.
Começou o nosso ciclo de obrigações desse ano vodun de 2016. Abrimos o ciclo com uma clebração interna para Legbá, e nesse ano, juntamos aos nossos motivos de agradecimento celebrar a alegria do nosso reconhecimento como Bem Cultural do município. O nosso terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, localizado no bairro do Curuzu, em Salvador, é,  de acordo com a Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia (AFA), somos um dos poucos que restam da nação Jeje Savalu e que mantém os ritos originais da linhagem, assim como o dialeto africano Ewe-Fòn preservado nas expressões e cânticos da comunidade. Em uma sexta-feira 15 de janeiro, o nosso templo religioso foi o primeiro a ser tombado com base na Lei de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Salvador (8.550/2014).  O evento de tombamento reuniu autoridades e povo de axé e foi realizado pela Prefeitura de Salvador com apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), que foi representada pelo presidente da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo. "Considero esse tombamento duplamente importante. Primeiro porque é no Curuzu, que tem uma simbologia importantíssima, pois é o bairro mais negro da cidade de Salvador.
Por esse e por outros motivos, encerramos a festividade para Legbá, (que abre oficialmente nosso ciclo) com o cântico “Labutenta”, ou “Làbú ń tẹ́ni ń ta”, um cântico em língua nagô que diz o seguinte:
Làbú ń tẹ́n`ń ta, Làbú ń tẹ́n`ń ta,Gbogbo AMIN (repete várias vezes).
Os convidados também cantam, e como nós também, segundo uma sonoridade bem abrasileirada, que faz com que o `cântico se transforme na segunte melodia :

« Labutenta, Labutenta bobo amin » (repete várias vezes),


ao som da percussao . A tradução  é :(vamos) Espalhar o tapete da maturidade por sobre tudo. Analisando por partes, temos a frase Ioruba : Làbú ń tẹ́ni ń ta, onde :
Làbú = crescer para a maturidade, amadurecer, etc. ;tẹ́ni = tapete ; Tá = derramar,

Referencias

1.    A Dictionary of the Yorùbá Language ; University Press PLC, Foudex Press Limited, Ibadan, Nigeria



 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Lɛ̆gbà, “Legbá”, Èşù, Elegbara: jeje, nagô ou nagô-vodun


Nagô-Vodun é o termo usado para designar voduns cultuados na confluencia Jeje-Nagô das religiões tradicionais afro-brasileiras. Os Nagô-Voduns, seriam, na verdade, orixás, pois são de origem nagô. Os principais são: Gú (Ogun), Odé, Oyá, Oxum, Obá, Iemanjá, Oxaguian e Oxalufã. Nós do Jeje Savalu os denominamos por Jonɔ-Vodun (pronúncia Jônó-Vôdún, que significa vodun estrangeiro, ou melhor, vodun convidado. E como fica nessa história, o Vodun Legbá?
Lebá (Lεgbà, em fongbé) é um vodun do Golfo do Benin. É uma figura singular nesta região, por ser extremamente diversificado em suas funções e em sua materialização, e constantemente presente e invocado. Todos estes aspectos surpreendentes em mais de uma maneira, sempre chamaram a atenção de várias religiões, principalmente das religiões Abraâmicas “majoritárias” (principalmente o cristianismo e o islam), que buscam associa-los às suas respectivas personalizações do mal (diabo, satanás, lúcifer, etc.). Legbá é um Vodun muito importante, tanto no Benin (República Popular do Benin), um pais da parte ocidental da África, onde ficava o antigo reino do Daomé) como na diáspora, por ser aquele que tem como atributos ser o protetor e o mensageiro entre os homens e os Voduns e em todos os Hùnkpámè (conventos de Vodun) do Benin, este Vodun é louvado e oferendado no ritual do Zandró. No Brasil esse vodun não é feito e, portanto, não há vodunsì que seja tomado por ele em transe. Na África, origem do culto vodun Jeje que foi trazido pelos ancestrais africanos para o Brasil, há vodunsì dedicadas a este vodun, recebendo a denominação de legbásì. Legbá é o correspondente Jeje do orixá Exu dos iorùbá. É o filho mais jovem do par  Criador Vodun Mawu-Lissá ou Dadá-Segbo. Legbá sempre é cultuado primeiro, antes de do que qualquer Vodun. Esta regra jamais é esquecida pelo povo Fòn, nem pode ser esquecida por nós, seus descendentes na Diáspora no Brasil, pois é ele que se encarrega de deixar passar qualquer tipo de oferenda seja a que Vodun for. Destaco aqui, um ponto interessante representado por algumas partes do cântico inicial no nosso Jeje Savalú do nosso Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, quando cantamos para Lεgbà. A orquestra se reúne e o Solista dá início cantando assim:

“Êlebara Vodun asa kêrêkêrê”.

E os demais, músicos e a assistência respondem, repetindo esse verso. A tradição de sonoridade afro-brasileira da qual sou membro nato, me dirige para a seguinte interpretação da etimologia Iorubá das palavras pronunciadas, de tal forma que poderia transcrever a letra do cântico entoado nesse áudio, como:

Ẹlẹgbára Vodun aṣa kẹ̀rẹkẹ̀rẹ....

A tradução literal da frase acima seria algo como: “Vodun Dono da Força de culto pequeno”. Porém o sentido da palavra “kẹ̀rẹkẹ̀rẹ” (ou “kerekere”, que significa “pequeno, pequena em primeira instancia), é enfatizar o cuidado que se deve ter ao cultural Lɛ̆gbà, Èşù, ou Elegbara, que vem a ser o Exú do quêto-nagô. Na sequência de cânticos podemos destacar em seguida uma parte na qual cantamos,

“Êlebara runxi naa de wa kêrêkêrê”.

E os demais, músicos e a assistência respondem, repetindo esse verso. O texto nos remete, ao seguinte texto Fón-Iorubá, onde Lεgbà é referido como Elegbara, e nesse mesmo texto aparece a palavra ioruba “kerekere” na língua Fón [Fɔngbè]:

« Elegbara Hùnsì náá dé wa kere kere »
 
que seria traduzido como: “Dono da Força Vodunsi chega (aterrissa) diretamente,

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Roncó, Huko ou “Hùnclós”: Qual a origem do termo “recolhimento” para a iniciação?


No Savalu do nosso Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, as Forças da Natureza têm suas principais representações nos Clãs e Famílias que se distribuem em grupos distintos, relacionados com dimensões do cosmo. Há os Voduns da Terra, conhecidos também como Ayi-voduns, e chefiados por Sapatá. Há os Voduns do Céu, encabeçados por Hevioso e Mawu-Lissa, conhecidos também como Ji-voduns.  De modo geral as divindades adoradas no nosso templo se classificam segundo os seguintes clãs: I) Clã de Dan, ou das Serpentes, liderado por Dan Gbê ou Bessém e sua consorte Dan Frequém, compondo um divino casal de serpentes. II)  Clã de Heviossô, ou dos Voduns Kavionos,(nossa herança dos nossos ancestrais de Kavi) que envolve as Famílias do Trovão e compreende todos os Ji-Voduns, Sò-voduns e Tò-voduns, num conjunto liderado pelo patrono Sobô (Sògbó). No complexo arranjo dessa teo-cosmologia, as famílias divinas se distribuem, pois, por diferentes linhagens. A dos Só-Voduns liga-se de forma direta ao fogo celeste (aos raios). A dos Tó-Voduns, domina as águas: pertencem a este horizonte os voduns Averequete (Aveklete), Aziri(Azili) Tolá, Aziri Kaiá, Naê Aziri e Aziri Tobôssi, entre outros. Entre os Só-Voduns o divino Adaen tem elevado posto. O Vodun Jó se vê assimilado ora a Sobô (de que Adaen é por vezes considerado um avatar), ora a Oyá. Esse vodun ligado com os ventos é considerado uma divindade mahi, ou jeje marrim.

Para saber se uma pessoa precisa ser iniciada ou não, no Savalu, o Bafono [Fá-Bokɔ́nɔ̀] vai ao jogo e pergunta. Caso a reposta seja positiva o processo iniciatico se deslancha de fato, a partir da adimissão do candidato ao roncó, que o nome genércio dado ao Santuário onde ficam recolhidos os noviços. Mas que palavra é essa? O que significa?...Bem, pelo grafia em Portugues (uma tentativa de associar silabas ao som das palavras, mas esse som não existe na sonoridade da comunicação moderna texto fón ou ioruba (talvez seja uma palavra antiga) Ou seja, nem em língua fón nem em lingua Iorubá vamos encontrar a palavra roncó. Encontra, contudo a palvra Huko (que se lê “rrukô”). Considerando que a palavra certamente tem origem na liturgia jeje e certamente praticada em lingua mina-jeje e/ou fón e mais ainda que a colonização francesa do Daomé produziu a sua herança que nos alcança nos dias de hoje, temos a opção Hunclos, visto que a expressão em frances par designiar o Santuário no qual se dá a iniciação do Vondusi, ou Humpame [Hùnkpámɛ̀]  seria Enclos d'un vodoun (recinto do Vodun), então poderimaos ter a palavra Hunclo, como resultado da soma/associação das palavras Hun (Vodun) + a palavra "enclos " corrompida e aaportuguesada para runkó ou roncó. Vodun kpao nã de ji!

  Referencias:

1.    Bénin : Le Vodun au Bénin, par Flore Hervé et Marie Mattera Corneloup ;  http://www.missions-africaines.net/benin-le-vodun-au-benin-par-flore-herve-et-marie-mattera-corneloup/

2.    Imagem :Frontal do Vodun Zo

segunda-feira, 2 de março de 2015

Vodun Lòkó



Meu pai Doté Amilton, Xò ɖɛ̀ nú mì!

Na lida com as coisas do Culto Vodun, aparecem com muita frequência, oportunidades de contatos com eventos e pessoas envolvidas em práticas afins. Foi por causa disso que tive a oportunidade de receber um presente em forma de CD, com o título “Salmo dos Orixás”. Aproveito para pedir a benção a Pai Roberto de Iansã, pelos textos inspirados, os quais, sem dúvida, são legítimos Salmos:

 
Kolofe,Baba mi Roberto de Iansã!

E aproveito também, para pedir a benção ao Tata de Omolu, pela brilhante interpretação das cantigas.

Mukuiu, Tata!

Ai, ouvindo o referido CD, no rádio do carro, fui tomado de encantamento por todas as faixas sem exceção. Entretanto, devo ressaltar o particular impacto que me causou uma das faixas: A faixa número 5, na qual o querido Tata (depois da leitura brilhante de um texto/salmo, pelo competente narrador Rivaldo Luna) entoa (tendo ao fundo o trabalho perfeito de meus irmãos Ogãs como eu, Xulipa, Mexicano e Pingo:

A Benção, meu Ebonmis)

um cântico ao Orixá Iroko. Bem, a letra do cântico diz, mais ou menos,assim:

Arran setó a darun be

Vodun eda werê

Ahan setó a darun be

Vodun eda werê

QUE MARAVILHA! Sem necessidade retoque.
Ai, a espiritualidade me trouxe um momento de reflexão.
Se aceitamos que o fraseado mistura termos da língua Fon e termos da língua Ioruba, e aí vamos perceber a referência a `Òlúwèrè`, lá no trecho final do cântico.  Os mais velhos costumam dizer que aos pés das grandes árvores também moram espíritos infantis chamados de ábíkú ( que se lê ´abiku´e significa ´a vida que provém da morte) que são comandados por Òlúwèrè. O Orixá Iroko,da tradição Keto-Iorubá-Nagô, tem como correspondente na nossa tradição Ewe-Fon-Ioruba-Nagô, o Vodun Lòkó. Aliás, a pronúncia da palavra ´Vodun´, em um cântico para o Orixá Iroko, nos remete a um sincretismo entre as duas culturas: Ewe-Fon-Ioruba-Nagô,e Keto-Ioruba-Nagô. Para nós do Culto Vodun, Loko é um Atinmé-vodun ("vodum que ´vive´ dentro da árvore"). Loko é um Vodun que representa o primeiro ser sagrado do mundo, e é por isso, considerado o primogênito de Mawu e Lissá (muito embora Sakpatá seja, muitas vezes, reconhecido com esta atribuição). Loko é cultuado em toda partes, tanto pode ser cultuado como um Ji-vodun (Vodun da chuva) , como um Ayi-vodun (Vodun da terra) assim como também um Tô-vodun(vodun local) e /ou um Henu-vodun (Vodun chefe de clã, vodun clânico). Os vodúnsis de Lòkó são chamados de Lokosi, e em muitos casos, têm os cabelos raspados apenas na metade esquerda do crânio. A partir dessa joia que ganhei de presente, andei até a minha plataforma de trabalho dentro do lado Ewe-Fon, da  minhaTradição, e tomei a liberdade de re-escrever o texto do cântico, tomando como base alguns fraseados da Fongbe,ou língua Fon, e ai a cantiga ficou assim:

 

A hã sɛ tó a da hungbe,

Vodun e dã Hwémè.

A hã sɛ tó a da hungbe

Vodun e dã Hwémè
Cuja nossa tradução para o Português fica mais ou menos assim: 


Não nos corte a vida falamos na língua ritual Vodun,

Vodun brilha mais que o (Sol) meio-dia 

Lòkò é o guardião da maior joia da ritualística do nosso candomblé Jeje: o hunjegbe (lê-se runjebe ou runjeve) que representa a passagem da vida para morte, tendo como senhor o  Vòdún Dàn. Dentro da Nigéria, é muito extenso o culto a Ìròkò, sendo sempre feito pedidos a essa divindade.

A benção Humbono Charles

A benção Humberto d´Otolu

Sou o Mawo Adelson

Referencias:

1.    CD musical; Associação Civil Filhos de Bárbara; Secretaria de Promoção

2.    Humbono Charles; Candomblé, o mundo dos orixás; disponível em: https://ocandomble.wordpress.com/2012/08/05/o-vodun-legba-e-a-classificacao-do-panteao-vodun/ 

 (acessado em: 01/03/15)

3.    Humberto d´Otolu;


4.    Imagem:


 

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Arroboboi, ou « Ahóahó Gbógbó Yέ » ?





Meu pai Doté Amilton: Xò ɖɛ̀ nú mì,`sua Benção`

Em seus estudos sobre as religioes dos africanos através do atlântico, o Dr. James L. Matory escreveu: “Nenhuma religião é pura, ou desprovida de influências culturalmente heterogêneas. No entanto, o que é notável sobre a nação Jeje não é apenas o seu papel fundamental no Candomblé durante o século XVIII, mas também o sucesso inicial e extraordinário de seus filhos, livres como Joaquim d'Almeida, Joaquim Devodê Branco, e Lourenço Cardoso, na promoção das trocas comerciais e culturais em curso entre a Baixa Costa da Guiné e o Brasil entre o início do século XIX e início de XX. As suas atividades e as dos outros migrantes circulares entre Bahia e África Ocidental deixou uma marca duradoura em não só os "grandes" casas de Candomblé do século XIX, mas também as grandes cidades do Brasil e as futuras nações do Benin, Togo e Gana. Alguns dos descendentes desses jejes brasileiros peregrinos, transmigrantes e comerciantes se tornariam presidentes desses estados-nações do Oeste Africano no século XX”. Esta localização geográfica coloca jejes e nagôs em uma mesma página da história desses povos na Diáspora que alcança o Brasil, e em particular singulariza a nossa Bahia, berço preferencial que embalou e nutriu o segmento cultural hibrido ao qual, hoje, alguns estudiosos fazem referencia usando a designação “Jeje-nagô”

O que podemos retirar desse trecho, é a constatação de um intercambio de ideias,costumes e tradições entre jejes e nagôs, e aplicando um pouco do conhecimento (ainda em franco processo de aquisição, somado a necessária criatividade) ousar no campo das conjecturas sobre expressões, frases e palavras dos rituais os quais celebramos ao longo da prática das nossas atividades religiosas.

No Jeje, somos ensinados a pronuncial a saudação “Arroboboi” para saudar uma série de Voduns. Para explicar o significado,cada Templo tem sua versão oficial, indubitavelmente correta e bem aplicada. Entretanto, pela ótica da pesquisa que desenvolvo em função de um Projeto de Resgate da Liturgia Jeje Corente com suas Correntes Formadoras na Diáspora Africana (título provisório), concluo por uma provável conjuntura semântica, associada a uma composição etmológica, a qual julgo altamente provável. É assim que surgem as raduções que caracterizam e tipificam a inha intervenção sobre os cantcos e rezas. Então, sob essa ótica e perspectiva, é que dou origem a uma tradução atualizada, ou seja, uma versão a mais para a Saudação sob interesse: Vejamos: A palavra da língua Fon (Fon gbe) Ahóahó, identifica uma serpente cor de cinza, muito rápida. A palavrá Gbó significa Grande. E uma postura linguistuca característica dos Ioruba-Nagô, e repetir a palavra compondo uma nova palavara que enfatiza o siginificado da palavra original. E o caso,por exemplo, da palavra Kéré, que significa pequeno, pequena. Essa palavra de origema palavra kérekére,que enfatiza de forma singular o significado de kéré,palavra a qual, por fim, no nosso jargão, virou kekerê. É assim que chamamos a Mãe Pequena de Iyá Kekerê. Por sua vez, a palavra Gbó, que signific ´grande´, evolvuiu para Gbógbó, ou seja, ´muito grande´,e eu retiro daí o sigificado da raiz etmológica Ahóahó Gbogbó :  Serpente Infinita.A palavra Yέ , significa Esprito. Daí, teremos, a saudação ;Ahóahó Gbógbó Yέ , ou seja, Salve o Infinito Espirito da Serpente., ou coisa parecida. Dai para Ahóahógbógbóyέ  e, finalmente, com o uso dinamico do termo, poderia, perfeitamente se reduzir a Ahóagbógbóyέ 

Espirito da Serpente Infinita !

Referencias :

1.    Le fongbe du Benin; disponível em: http://www.fongbe.fr/franc_vocabulaire/franc_vocabulaire_B.php  (acessado em: 06/02/15)


 
 
 
 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Vodun Nanã Buluku




Alɔfún hwà. Sua Benção meu pai Doté Amilton de Sogbo
Uma frase da língua fongbe, falada no Benin,e idioma preferencial do Culto Vodun, pode representar a importancia de Ayizan, que é uma das referencias diretas ao Vodun Nanã. A frase diz assim:

Agbó ná bó xɔ̀ xwè wò ɔ́, Ayĭzan tɔn jɛ́n ná nyí

A tradução : Mesmo que a ovelha viva por dez anos, é ao Vodun Ayizan que ela foi dedicada.

Começo essa intervenção, entretanto, destacando a atitude de tolerancia e respeito a fé do seu próximo que, segundo depoimentos de prepostos da Fundação Follerau Louxembourg (uma Fundação que desenvolve trabalhos de ajuda por toda a África), carateriza o povo do Benin em relação as religiões. O povo Beninense é um povo extremamente religioso. Entretanto, é marcadamente tolerante em relação a fé e a prática religiosa do seu próximo. Tomando como referencia o que li dos depoimentos da Fundação citada, na minha experiencia de passagem por paises europeus, quando penso em povos de extrema fé católica, me vem a mente o povo italiano, com destaque para o povo de Roma. Se me volto para a Ásia (pois vivi no Japão por quinze anos) posso dar exemplos de povos muçulmanos, e aí, o meu destaque vai para indonéisos, paquistaneses,etc. Não são exatamente povos tolerantes com relação a práticas religiosas que não sejam as suas. No Benin, entretanto, ambas as religiões mencionadas, seja o catolicismo ou o islamismo, estão em todos os lugares.Nas cidades e aldeias, pode-se encontrar igrejas e mesquitas. A religião é um evento humano alí comemorado com grande alegria e entusiasmo. Ainda segundo depoimentos de prepepostos da referida Fundação, as pessoas de diferentes religiões vivem pacificamente umas ao lado das outras, e se tratam mutuamente com grande respeito e tolerância, algo que parece ser muito mais difícil na Europa,na Ásia, e no Brasil. E ai tomo mais um pouco desse espaço para enfatizar o que acontece no nosso país quando se fala a palavra `Vodun`. Várias correntes reigiosas, com destaque para as correntes catóilcas e as correntes evangélicas, associam a palavra a “feitiçaria”, “magia negra”, etc. Pessoal, o Culto ao Vodun é uma religião animista, politeísta e muito antiga que tem suas raízes no Benin, onde continua a ser um culto muito praticado, Aqui do lado brasileiro do Atlântico, nós estamos fazendo a nossa parte.Cultuamos os Voduns da família do Xɛbiosò, ou Hevioso no nosso Hunkpame Vodun Zo Xwe.

Agora, vamos ao foco desse pequeno trabalho:Nanã Buluku.

Nanã Buluku é a Deusa Criadora Primordial do povo Fon do Benin (quer dizer do povo do antigo Reino do Daomé, de onde vieram os negros escravos que viveram principalmente na região de Cachoeira de São Félix e do Reconcanvo baiano). Como Nana Buluku, é a Avó Primoridal de todos os Deuses, dos Gêmeos Cósmicos Mawu ( a Lua, o princípio feminino) e Lisa ( o Sol, o princípio masculino) nasceram de Nanã. Mawu e Lisa representam o Ovo Cósmico e a semente cósmica que comcluiram o processo de fecundação do universo . Então Nana Buluku é a barriga da Criação. Mawu é o Ovo e Lisa a Semente. Eles são o princípio da criação de tudo o que é, que foi e que sempre será. Nanã Buluku é a Grande Divindade, que vem em primeiro lugar de todos os antepassados. Ela é a Bisavó dos Deuses, mas também é Avó ancestral e progenitora da raça humana. Em forma humana, Nanã buluku era conhecida como Ayizan. Nannã é vista como uma velha avó negra, com o rosto coberto por ráfia de palmeiras (para homenagear as palmas de palmeira que ela usou para agregar a lâma primordial). Em seus braços Ayizan carrega uma cesta de raízes, cascas e ervas. Ayizan foi a primeira fitoterapeuta humanoa e para ela, o santo remédio é a raiz da mandrágora, pela sua  semelhança com a forma humana. A Mandrágora é um símbolo de seu marido humano. Ayizan é a deusa guardiã do entreposto de Alada e do mercado de Ajudá ,sendo ambas localidades, antigas fortificações que serivram de entrepostos aos “fluxos e refluxos” (Pierre Verger) transatlântico durante o infame tráfico negreiro. Ayizan, foi uma ancestral (antepassado) poderosa que nunca foi superada no conhecimento de ervas e raízes mágicas. A areia movediça (lama) é seu elemento sagrado porque circunda a sua casa e protege a vida selvagem.

 

Referencias:

1.      Pratique du Vaudou au Bénin; Foundation Follerau Luxembourg;


2.      Pantheon afrcaine; http://ko-chka.e-monsite.com/pages/pantheons/pantheon-africain.html ; acessado em 29/01/15;

3.      Phrases autor du Vodoun ; http://www.fongbe.fr/vaudou_phrase.php ; acessado em 29/01/15;


 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Vodun Lɛ̆gbà


Lɛ̆gbà... dŏ nukɔ̀n

 
Nós, o povo de Santo Jeje, necessitamos com urgência retificar uma postura que vimos adotando através dos tempos: Precisamos conhecer melhor uma das nossas línguas: O fon. Os nossos irmãos Beninenses observam que: Yovo se fɔngbe, ou literalmente: “O branco (europeu) fala Fon....e nós...? Calma, já iniciamos os trabalhos relativos a redação e publicação da noss ‘Primeira Cartilha de Língua Fongbe da Tradição Savalú-Dapmé-Mahin da Bahia”. É como o primeiro passo, ou seja: Koklosi nukɔntɔn ɔ, ou (em Português) a primeira galilha.
Uma amiga me enviou um vídeo do Youtube no qual é “exibido” uma cerimônia supostamente praticada na “Santeria”, sobre a qual ela observa e constata seu desconhecimento do significado de uma palavra que lhe chamou atenção. A palavra é “Eleguá”. Esta palavra é um termo religioso-cultural de origem Ioruba. Na língua e Cultura Ioruba, o termo ´Exú´, se constitui uma referência a personificação da liga espiritual, da cola metafísica, da força cosmogônica que junta e mantém a ordem das moléculas, átomos, etc. Tanto física como emocionalmente, `Exú´ é o responsável pela manutenção das coisas do mundo, como essas se apresentam. É a personificação de "Elegbara". A etimologia; Ele + agbara. "Ele", é uma pronúncia eufonizada (uma adaptação sonora, tal que pratique a identificação com a sonoridade costumeira) da palvra "Oló",que sigiifica "dono, senhor" . "Agbara", por sua vez, significa força, poder, etc. Para o povo Lukumi, que foi levado das terras Ioruba da nossa África, para a região de Cuba, durante a escravidão, a palavra Elegbara, é reduzida para "Elegba" (ou ainda "Legba"), onde o encontro "gb" em verdade, a letra "gb" (gbui) do alfabeto Ioruba. Os povos que mantiveram o Ioruba em uso através da Diáspora, como é o caso dos nossos irmãos nagôs na Diáspora (ou Anagó, como se refere o Ioruba dos nossos dias) caracterizam, pela dificuldade quanto a pronúncia da letra "gb", arredondando-a para "gu", Daí, 'Elegba" passou a ser "Eleguá".
Legbá (Lεgbà, em fongbé) é um Vodun muito importante, tanto no Benin como na diáspora, por ser aquele que tem como atributos ser o protetor e o mensageiro entre os homens e os Voduns e em todos os Hùnkpámè (conventos de Vodun) do Benin, este Vodun é louvado e oferendado no ritual do Zandró. No Brasil não é feito e nem entra em transe, não tendo vodunsì. No Benin há vodunsì dedicadas a estes voduns, recebendo a denominação de legbásì. Legbá é o correspondente Jeji do orixá Exu dos yorubás. É o filho mais jovem do par Mawu-Lisá ou Dadá-Segbo. Legbá sempre é cultuado primeiro, do que qualquer Vodun, esta regra jamais é esquecida pelo povo Fon, nem pode ser esqeucida por nós, seus descendentes na Diáspora no Brasil, pois é ele que se encarrega de deixar passar qualquer tipo de oferenda seja a que Vodun for.  Legbá, é o unico Vodun masculino que tem acesso ao mundo espiritual das Kenesi (senhoras poderosas e grande Mãe Ancestre, feiticeiras, podendo ser consideradas como correspondentes às Iyami da tradição yorubá).