sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Arroboboi, ou « Ahóahó Gbógbó Yέ » ?





Meu pai Doté Amilton: Xò ɖɛ̀ nú mì,`sua Benção`

Em seus estudos sobre as religioes dos africanos através do atlântico, o Dr. James L. Matory escreveu: “Nenhuma religião é pura, ou desprovida de influências culturalmente heterogêneas. No entanto, o que é notável sobre a nação Jeje não é apenas o seu papel fundamental no Candomblé durante o século XVIII, mas também o sucesso inicial e extraordinário de seus filhos, livres como Joaquim d'Almeida, Joaquim Devodê Branco, e Lourenço Cardoso, na promoção das trocas comerciais e culturais em curso entre a Baixa Costa da Guiné e o Brasil entre o início do século XIX e início de XX. As suas atividades e as dos outros migrantes circulares entre Bahia e África Ocidental deixou uma marca duradoura em não só os "grandes" casas de Candomblé do século XIX, mas também as grandes cidades do Brasil e as futuras nações do Benin, Togo e Gana. Alguns dos descendentes desses jejes brasileiros peregrinos, transmigrantes e comerciantes se tornariam presidentes desses estados-nações do Oeste Africano no século XX”. Esta localização geográfica coloca jejes e nagôs em uma mesma página da história desses povos na Diáspora que alcança o Brasil, e em particular singulariza a nossa Bahia, berço preferencial que embalou e nutriu o segmento cultural hibrido ao qual, hoje, alguns estudiosos fazem referencia usando a designação “Jeje-nagô”

O que podemos retirar desse trecho, é a constatação de um intercambio de ideias,costumes e tradições entre jejes e nagôs, e aplicando um pouco do conhecimento (ainda em franco processo de aquisição, somado a necessária criatividade) ousar no campo das conjecturas sobre expressões, frases e palavras dos rituais os quais celebramos ao longo da prática das nossas atividades religiosas.

No Jeje, somos ensinados a pronuncial a saudação “Arroboboi” para saudar uma série de Voduns. Para explicar o significado,cada Templo tem sua versão oficial, indubitavelmente correta e bem aplicada. Entretanto, pela ótica da pesquisa que desenvolvo em função de um Projeto de Resgate da Liturgia Jeje Corente com suas Correntes Formadoras na Diáspora Africana (título provisório), concluo por uma provável conjuntura semântica, associada a uma composição etmológica, a qual julgo altamente provável. É assim que surgem as raduções que caracterizam e tipificam a inha intervenção sobre os cantcos e rezas. Então, sob essa ótica e perspectiva, é que dou origem a uma tradução atualizada, ou seja, uma versão a mais para a Saudação sob interesse: Vejamos: A palavra da língua Fon (Fon gbe) Ahóahó, identifica uma serpente cor de cinza, muito rápida. A palavrá Gbó significa Grande. E uma postura linguistuca característica dos Ioruba-Nagô, e repetir a palavra compondo uma nova palavara que enfatiza o siginificado da palavra original. E o caso,por exemplo, da palavra Kéré, que significa pequeno, pequena. Essa palavra de origema palavra kérekére,que enfatiza de forma singular o significado de kéré,palavra a qual, por fim, no nosso jargão, virou kekerê. É assim que chamamos a Mãe Pequena de Iyá Kekerê. Por sua vez, a palavra Gbó, que signific ´grande´, evolvuiu para Gbógbó, ou seja, ´muito grande´,e eu retiro daí o sigificado da raiz etmológica Ahóahó Gbogbó :  Serpente Infinita.A palavra Yέ , significa Esprito. Daí, teremos, a saudação ;Ahóahó Gbógbó Yέ , ou seja, Salve o Infinito Espirito da Serpente., ou coisa parecida. Dai para Ahóahógbógbóyέ  e, finalmente, com o uso dinamico do termo, poderia, perfeitamente se reduzir a Ahóagbógbóyέ 

Espirito da Serpente Infinita !

Referencias :

1.    Le fongbe du Benin; disponível em: http://www.fongbe.fr/franc_vocabulaire/franc_vocabulaire_B.php  (acessado em: 06/02/15)


 
 
 
 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Vodun Nanã Buluku




Alɔfún hwà. Sua Benção meu pai Doté Amilton de Sogbo
Uma frase da língua fongbe, falada no Benin,e idioma preferencial do Culto Vodun, pode representar a importancia de Ayizan, que é uma das referencias diretas ao Vodun Nanã. A frase diz assim:

Agbó ná bó xɔ̀ xwè wò ɔ́, Ayĭzan tɔn jɛ́n ná nyí

A tradução : Mesmo que a ovelha viva por dez anos, é ao Vodun Ayizan que ela foi dedicada.

Começo essa intervenção, entretanto, destacando a atitude de tolerancia e respeito a fé do seu próximo que, segundo depoimentos de prepostos da Fundação Follerau Louxembourg (uma Fundação que desenvolve trabalhos de ajuda por toda a África), carateriza o povo do Benin em relação as religiões. O povo Beninense é um povo extremamente religioso. Entretanto, é marcadamente tolerante em relação a fé e a prática religiosa do seu próximo. Tomando como referencia o que li dos depoimentos da Fundação citada, na minha experiencia de passagem por paises europeus, quando penso em povos de extrema fé católica, me vem a mente o povo italiano, com destaque para o povo de Roma. Se me volto para a Ásia (pois vivi no Japão por quinze anos) posso dar exemplos de povos muçulmanos, e aí, o meu destaque vai para indonéisos, paquistaneses,etc. Não são exatamente povos tolerantes com relação a práticas religiosas que não sejam as suas. No Benin, entretanto, ambas as religiões mencionadas, seja o catolicismo ou o islamismo, estão em todos os lugares.Nas cidades e aldeias, pode-se encontrar igrejas e mesquitas. A religião é um evento humano alí comemorado com grande alegria e entusiasmo. Ainda segundo depoimentos de prepepostos da referida Fundação, as pessoas de diferentes religiões vivem pacificamente umas ao lado das outras, e se tratam mutuamente com grande respeito e tolerância, algo que parece ser muito mais difícil na Europa,na Ásia, e no Brasil. E ai tomo mais um pouco desse espaço para enfatizar o que acontece no nosso país quando se fala a palavra `Vodun`. Várias correntes reigiosas, com destaque para as correntes catóilcas e as correntes evangélicas, associam a palavra a “feitiçaria”, “magia negra”, etc. Pessoal, o Culto ao Vodun é uma religião animista, politeísta e muito antiga que tem suas raízes no Benin, onde continua a ser um culto muito praticado, Aqui do lado brasileiro do Atlântico, nós estamos fazendo a nossa parte.Cultuamos os Voduns da família do Xɛbiosò, ou Hevioso no nosso Hunkpame Vodun Zo Xwe.

Agora, vamos ao foco desse pequeno trabalho:Nanã Buluku.

Nanã Buluku é a Deusa Criadora Primordial do povo Fon do Benin (quer dizer do povo do antigo Reino do Daomé, de onde vieram os negros escravos que viveram principalmente na região de Cachoeira de São Félix e do Reconcanvo baiano). Como Nana Buluku, é a Avó Primoridal de todos os Deuses, dos Gêmeos Cósmicos Mawu ( a Lua, o princípio feminino) e Lisa ( o Sol, o princípio masculino) nasceram de Nanã. Mawu e Lisa representam o Ovo Cósmico e a semente cósmica que comcluiram o processo de fecundação do universo . Então Nana Buluku é a barriga da Criação. Mawu é o Ovo e Lisa a Semente. Eles são o princípio da criação de tudo o que é, que foi e que sempre será. Nanã Buluku é a Grande Divindade, que vem em primeiro lugar de todos os antepassados. Ela é a Bisavó dos Deuses, mas também é Avó ancestral e progenitora da raça humana. Em forma humana, Nanã buluku era conhecida como Ayizan. Nannã é vista como uma velha avó negra, com o rosto coberto por ráfia de palmeiras (para homenagear as palmas de palmeira que ela usou para agregar a lâma primordial). Em seus braços Ayizan carrega uma cesta de raízes, cascas e ervas. Ayizan foi a primeira fitoterapeuta humanoa e para ela, o santo remédio é a raiz da mandrágora, pela sua  semelhança com a forma humana. A Mandrágora é um símbolo de seu marido humano. Ayizan é a deusa guardiã do entreposto de Alada e do mercado de Ajudá ,sendo ambas localidades, antigas fortificações que serivram de entrepostos aos “fluxos e refluxos” (Pierre Verger) transatlântico durante o infame tráfico negreiro. Ayizan, foi uma ancestral (antepassado) poderosa que nunca foi superada no conhecimento de ervas e raízes mágicas. A areia movediça (lama) é seu elemento sagrado porque circunda a sua casa e protege a vida selvagem.

 

Referencias:

1.      Pratique du Vaudou au Bénin; Foundation Follerau Luxembourg;


2.      Pantheon afrcaine; http://ko-chka.e-monsite.com/pages/pantheons/pantheon-africain.html ; acessado em 29/01/15;

3.      Phrases autor du Vodoun ; http://www.fongbe.fr/vaudou_phrase.php ; acessado em 29/01/15;


 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Vodun Lɛ̆gbà


Lɛ̆gbà... dŏ nukɔ̀n

 
Nós, o povo de Santo Jeje, necessitamos com urgência retificar uma postura que vimos adotando através dos tempos: Precisamos conhecer melhor uma das nossas línguas: O fon. Os nossos irmãos Beninenses observam que: Yovo se fɔngbe, ou literalmente: “O branco (europeu) fala Fon....e nós...? Calma, já iniciamos os trabalhos relativos a redação e publicação da noss ‘Primeira Cartilha de Língua Fongbe da Tradição Savalú-Dapmé-Mahin da Bahia”. É como o primeiro passo, ou seja: Koklosi nukɔntɔn ɔ, ou (em Português) a primeira galilha.
Uma amiga me enviou um vídeo do Youtube no qual é “exibido” uma cerimônia supostamente praticada na “Santeria”, sobre a qual ela observa e constata seu desconhecimento do significado de uma palavra que lhe chamou atenção. A palavra é “Eleguá”. Esta palavra é um termo religioso-cultural de origem Ioruba. Na língua e Cultura Ioruba, o termo ´Exú´, se constitui uma referência a personificação da liga espiritual, da cola metafísica, da força cosmogônica que junta e mantém a ordem das moléculas, átomos, etc. Tanto física como emocionalmente, `Exú´ é o responsável pela manutenção das coisas do mundo, como essas se apresentam. É a personificação de "Elegbara". A etimologia; Ele + agbara. "Ele", é uma pronúncia eufonizada (uma adaptação sonora, tal que pratique a identificação com a sonoridade costumeira) da palvra "Oló",que sigiifica "dono, senhor" . "Agbara", por sua vez, significa força, poder, etc. Para o povo Lukumi, que foi levado das terras Ioruba da nossa África, para a região de Cuba, durante a escravidão, a palavra Elegbara, é reduzida para "Elegba" (ou ainda "Legba"), onde o encontro "gb" em verdade, a letra "gb" (gbui) do alfabeto Ioruba. Os povos que mantiveram o Ioruba em uso através da Diáspora, como é o caso dos nossos irmãos nagôs na Diáspora (ou Anagó, como se refere o Ioruba dos nossos dias) caracterizam, pela dificuldade quanto a pronúncia da letra "gb", arredondando-a para "gu", Daí, 'Elegba" passou a ser "Eleguá".
Legbá (Lεgbà, em fongbé) é um Vodun muito importante, tanto no Benin como na diáspora, por ser aquele que tem como atributos ser o protetor e o mensageiro entre os homens e os Voduns e em todos os Hùnkpámè (conventos de Vodun) do Benin, este Vodun é louvado e oferendado no ritual do Zandró. No Brasil não é feito e nem entra em transe, não tendo vodunsì. No Benin há vodunsì dedicadas a estes voduns, recebendo a denominação de legbásì. Legbá é o correspondente Jeji do orixá Exu dos yorubás. É o filho mais jovem do par Mawu-Lisá ou Dadá-Segbo. Legbá sempre é cultuado primeiro, do que qualquer Vodun, esta regra jamais é esquecida pelo povo Fon, nem pode ser esqeucida por nós, seus descendentes na Diáspora no Brasil, pois é ele que se encarrega de deixar passar qualquer tipo de oferenda seja a que Vodun for.  Legbá, é o unico Vodun masculino que tem acesso ao mundo espiritual das Kenesi (senhoras poderosas e grande Mãe Ancestre, feiticeiras, podendo ser consideradas como correspondentes às Iyami da tradição yorubá).

sábado, 18 de janeiro de 2014

Uma cerimonia de batismo na Religião Savalú





Para o Povo do Vodun a iniciação da criança para a vida em sociedade começa com a cerimonia do Àgbasa – yiyi, que nós chamamos apenas de “Àgabasa”  (ou seja o acesso a comunidade familiar/primeira vida pública). "O acesso à comunidade familiar é simbolizado pela determinação do/a “Joto” ou seja, da “referência” a uma força de proteção” (Dono da cabeça, que pode ser próprio ou herdado de um ancestral ascendente no cordão condutor espiritual da criança. Ele é um elemento dinâmico que intervém na constituição da personalidade do indivíduo." O/A Joto é o ancestral cujo influxo vital anima a criança. É o “Dú” (Odún na lingua Iorubá) da criança. O Bakono, a essa altura já viu no jogo os detalhes do “Dú”  da criança e estará preparado para lidar com a situação.
O “Àgabasa” é uma cerimonia de fundamental  importância na vida dos homens e mulheres Fon.  É o primeiro de uma série de três ritos de iniciação para “Fá” através do qual o homem e a mulher Fon devem passar. Dos três, Àgabasa - yiyi é fundamentalmente o mais importante por meio do qual todos devem passar. As meninas e meninos podem ser iniciadas até o segundo grau de Fá , mas só os homens podem chegar ao terceiro grau de iniciação. Representa um dos meios essenciais inventados pelos africanos para transmitir de uma forma viva, a existência . Esses três iniciações a “Fá” são, em termos religiosos de um tipo que é intermediário entre uma iniciação puramente profana à história da vida da pessoa, e uma consagração para o Vodun que pode ir tão longe quanto a possessão

(o Vodun vir para tomar Hun)" . Uma vez que a Joto é conhecido , é hora de dar é boas-vindas : " Sê, doo nú wè " (Você é bem-vindo , ó sê! ), E o acolhimento público do seu "outro eu " o eu responsável pela proteção.
É através desse processo que se introduz no cognitivo da criança as noções fundamentais da vida Vodunsi:
Vodun gongon, Vodun d’ablu,
 (Tradução: Vodun é profundo é difícil de entender),
Nu kplon mê o, e no zé do wè(Tradução: Nós colocamos sobre a educação moral).

Numêsênlê sin ali nu, (Tradução: O caminho dado pelos Espíritos deve ser reverenciados

Vodun lé do lè a, Vodun lé do lè a, (Tradução: Siga as orientações dos Voduns)

Vodun pá ó na deji!

Mawo̟ Nanansi Kwe Vodun Zo Adelson Sogbosi

terça-feira, 4 de junho de 2013

Terreiro Vodun Zo: Fá Gbe, Lailemọ, o Insondável

Terreiro Vodun Zo: Fá Gbe, Lailemọ, o Insondável

Fá Gbe, Lailemọ, o Insondável



O homem africano dos dias atuais ainda guarda a presença de uma Energia Mística no Universo, como uma fonte de influência absoluta sobre a sua vida.
Quem tem a felicidade de conviver com os nossos irmãos nascidos na outra ponta do Atlântico, ouve as suas constantes referencias a atuação das forças que agem sobre a vida a partir da presença das energias insondáveis. O Iorubá, por exemplo, costuma se referir a homens e mulheres especiais que conhecem o segredo das coisas materiais e imateriais, capazes, segundo eles de alterar a constituição das coisas ao nosso redor. Homens e mulheres, como os magos (àwọ̀n òşó) e as fadas (àwọ̀n ajẹ) capazes de atravessar paredes como se elas não existissem, e de se “desmaterializar” em um ponto geográfico do planeta para se “(re) materializar” em outro ponto, como sugere, por exemplo, o filme “Jumper” uma produção americana de ficção científica, suspense e ação cujo personagem principal foi inspirado no romance ficção científica de Steven Gould lançado em 1992, e que tem o mesmo nome. O filme é dirigido por Doug Liman e tem no elenco estrelas com Samuel L. Jackson, Hayden Christensen, Jamie Bell e outros. O filme segue a trajetória de um jovem de nome David Rice (Christensen) que é capaz de se teletransportar e que vive luxuosamente usando o dinheiro roubado através dessa sua capacidade. Um dia, ele é emboscado em sua casa por Roland Cox (Jackson). Roland pertence a um grupo extremista chamado de paladinos que tentam rastrear e matar estes indivíduos capazes de se teletransportar, o "Jumpers". Ele tenta prender David com um sistema de cabos de alta tensão, que o impedem de saltar (se teletransportar), e o filme segue assim.
Entretanto esses mesmos africanos são unânimes em afirmar que não há maior poder sob o Deus-Todo-Poderoso que Fá (Ifá), ou o Destino. Talvez por conta dessa concepção, os sistemas religiosos que tomam como bases matrizes africanas e que florescem em regiões geográficas fora da África, como é o caso do Brasil, Cuba, Haiti, parte dos Estados Unidos, e afins, tenham como um dos seus pilares a prática do sacrifício e da oferenda (Ębọ) como formas de alcance do Favor do Destino, do Insondável, ou “Lailemọ”. A tradução literal da palavra Iorubá “Lailemọ” é: “o que não se pode conhecer”, no sentido de que não existe meio, forma ou sistema racional capaz de revelar ou conhecer, ou entender a composição da sua essência.  
Por isso nós do Vodun Savalú  cultuamos Voduns e Orişa que fazem parte do sistema atemporal de Arquetípico que herdamos desde os nossos ancestrais  Daomeanos, vindos da região hoje denominada de República do Benin. Nós seguimos o conceito Vodun da alma e seu conceito magistral de Destino referido como kpoli. Aderimos ao 256 Du / Kpoli (chamado de Odù por nossos irmãos Iorubá-nagô) ), e as mensagens codificadas neles como revelado por Fá Ayidegun (Ộrúnmilà para os Iorubá).Colocamos no culto a Kutito (ancestrais), a propiciação prudente, através da oração, música, dança e oferendas. Precisamos ir ao Daomé, para nos juntarmos aos nossos irmãso nativos falantes do Fon Gbe, para nos participarmos de uma das cerimonias nas quais e os porta-estandartes da sociedade Kutitonu vão elevar o culto aos nossos ancestrais. É assim que seguimos a Realeza Sagrada (Ahosu) na sociedade dos ministros (Gan) observado por todo  verdadeiro Vodunsi seja do Togo,do Benin, de Lomé, de Savalou, de Allada, de Wydah (Ajuda), de Pakou , de Porto Novo, de Abomei, da Bahia, “kwk” (kwk é a espressão  Ki Bantu / Swahili "katha wa katha", que em Iorubá seria "ati bẹẹ bẹẹ lọ" que significa "e assim por diante" ou "etc, etc ..").
Longe de qualquer projeto purista ou essencialista, o nosso objetivo tem base na crença na santidade e na funcionalidade do Fongbe (língua Fon) e do Èdè Yorùbá (Idioma Iorubá) e na suas aplicações em nossos rituais e vida cotidiana em consonancia com a sonoridade e a prosódia que identificamos como própria da nossa Ancestralidade .

Refrencias:

1.      New African Vodun; Disponível em: http://newafrikanvodun.com/nav/nav.html  (acessado em: 04/06/2013);
2.       Zinzindohoue, B.; Traditional Religion in Africa: The Vodun Phenomenon in Benin; Disponível em: http://www.afrikaworld.net/afrel/zinzindohoue.htm  (acessado em: 04/06/2013);
3.      Imagem: Foto da festa das frutas, por Dofono George.


terça-feira, 28 de maio de 2013

Um Humbono de Adaen no “Bembé do Mercado: Awoboboe!!!



A Ciência do homem ocidental acredita se distanciar substancialmente das práticas divinatórias. E aposta que está empurrando as manifestações do Divino para a margem da sociedade “tecnológica pós-moderna”, “para melhor usufruir da construção dessa infraestrutura tecnológica pós-moderna”. A coisa fica ainda pior quando essa ciência ocidental se debruça sobre uma série de eventos e não conseguem identificar leituras que representam os conceitos que os parametrizariam como “obras do Criador” concebido sob o modelo Greco judaico-cristão.
Porém, para o Vodun, quanto mais o homem acredita que se afasta do Divino, mais ele se aproxima da presença sobrenatural no Universo. O crente Vodun atribui ainda uma série de fenômenos que atingem, ameaçam e debilitam o homem na sua passagem material, como consequências da falta de reconhecimento e respeito a essa aproximação. É a partir dessa plataforma que o Culto Vodun é (mau) visto pela sociedade ocidental. E não venham dizer que a coisa está melhorando, pois, caso se acredite nessa “melhora” corre maior risco de que alguém assim como nós, muito empenhado na luta contra o preconceito que marca a ignorância ocidental, venha a “baixar a guarda” e, em consequência sermos imediatamente golpeados nas nossas mais legitimas aspirações de reconhecimento, e repeito a nossa dignidade. Um exemplo do que pretendo enfatizar, é a recente tentativa de um “Vereador” da nossa Salvador quanto a proibir “sacrifício de animais”. É que no calor das reações a sua proposta, ele tentou explicar que “a não era bem assim,...que não afetava o candomblé, e coisa e tal,...”. Mas ninguém “baixou a guarda” por que não dá para confiar que uma “coisa que era outra” não pode de repente virar contra nós: Nunca se sabe. Na dúvida, o povo de santo recomendou que ele fosse cuidar de outros projetos e abandonasse esse.
Cientificamente falando, uma religião é um conjunto organizado de crenças, sistemas culturais e visões de mundo que relacionam a humanidade à espiritualidade, ao sobrenatural, servindo de base a formação de uma conjuntura específica de valores morais. Muitas religiões têm narrativas, simbolismo e histórias sagradas que se destinam a criar sentido à vida ou a situar o homem dentro de uma concepção tradicionalista visando explicar a origem da vida ou do Universo. A partir de suas crenças sobre o cosmos e a natureza humana, as religiões definem conceitos de moralidade, a ética. As leis religiosas são fontes de educação e de estilo de vida. De acordo com algumas estimativas, existem cerca de 4.200 religiões no mundo. Um delas é a nossa Religião dos Vodun, que comumento nós também chamamos apenas de Vodun.
Contrariamente ao que se divulga o Vodun não tem como característica “jogar feitiço” nem “lançar magias” sobre quem quer que seja. O Vodun é apenas um culto espiritual do qual uma parte espaço-temporal importante é dedicada ao culto dos antepassados. Mesmo que a origem da humanidade e da criação do mundo tenha as suas referencias também explicados pela mitologia Vodun, essa questão não se reduz a tessitura de teorias centradas da fé. Os seguidores acreditam que a resposta para tal questão está além do alcance humano. A prioridade dada aos antepassados ​​está estreitamente ligada questão da senioridade espaço-temporal. Assim como os povos Iorubá-Nagô, os Fon no seu culto Vodun atribuem o domínio da Verdadeira Sabedoria aos mais Velhos, ou seja, aqueles que nasceram primeiro, com prioridade para os que passaram por aqui antes de nós. E é por isso que seguem com esse princípio até o limite intangível espaço-temporal. É assim que os que hoje vivem, buscam a interseção dos antepassados junto ao Todo-Poderoso em nome de suas famílias e descendentes. Sem pregar desrespeito a qualquer outra forma de crença, essa é a forma Vodun de alcançar o favor do Criador Todo-Poderoso. Ainda para o crente Vodun, o Bakono, com a ajuda dos espíritos dos que já foram, têm esse acesso. Por isso é que uma das interpretações da palavra Vodun é concebida como: “O espírito daqueles que passaram antes de nós.” Aqui nas Terras do Novo Atlântico, na ponta de cá do Golfo do Benin, no Reduto Sagrado do Culto Vodun, e mais precisamente, no Tempo Savaluno Kwe Vodun Zo, o Bakono é o Doté Amilton Sacramento Costa, ou Amilton do Curuzú , o Nosso Amilton de Sogbo, Nosso Humbono de Adaen, que nos lidera na luta pela preservação e brilho da Religião Vodun Savalú.
Na foto que ilustra essa modesta inserção o Humbono de Adaen compartilha a imagem com Ebomi Nice de Oya, em plena comemoração do Bembé do Mercado em Santo Amaro da Purificação, na noite de 10 para 11 de maio desse ano de 2013.

A Benção Humbono!
A Bença Ebomi Nice!
Vodun Zo....Awoboboe!!!!!

Referencias
:
1.      Religion; http://en.wikipedia.org/wiki/Religion Acesso: (acessado em: 28/05/2013);
2.      West African Vodun Acesso: https://en.wikipedia.org/wiki/West_African_Vodun
 (acessado em: 28/05/2013);
3.      Foto tirada peo Dofono George Sogbosi na note de 10 para 11 de maio em Santo Amaro da Purificação, BA.