terça-feira, 28 de maio de 2013

Um Humbono de Adaen no “Bembé do Mercado: Awoboboe!!!



A Ciência do homem ocidental acredita se distanciar substancialmente das práticas divinatórias. E aposta que está empurrando as manifestações do Divino para a margem da sociedade “tecnológica pós-moderna”, “para melhor usufruir da construção dessa infraestrutura tecnológica pós-moderna”. A coisa fica ainda pior quando essa ciência ocidental se debruça sobre uma série de eventos e não conseguem identificar leituras que representam os conceitos que os parametrizariam como “obras do Criador” concebido sob o modelo Greco judaico-cristão.
Porém, para o Vodun, quanto mais o homem acredita que se afasta do Divino, mais ele se aproxima da presença sobrenatural no Universo. O crente Vodun atribui ainda uma série de fenômenos que atingem, ameaçam e debilitam o homem na sua passagem material, como consequências da falta de reconhecimento e respeito a essa aproximação. É a partir dessa plataforma que o Culto Vodun é (mau) visto pela sociedade ocidental. E não venham dizer que a coisa está melhorando, pois, caso se acredite nessa “melhora” corre maior risco de que alguém assim como nós, muito empenhado na luta contra o preconceito que marca a ignorância ocidental, venha a “baixar a guarda” e, em consequência sermos imediatamente golpeados nas nossas mais legitimas aspirações de reconhecimento, e repeito a nossa dignidade. Um exemplo do que pretendo enfatizar, é a recente tentativa de um “Vereador” da nossa Salvador quanto a proibir “sacrifício de animais”. É que no calor das reações a sua proposta, ele tentou explicar que “a não era bem assim,...que não afetava o candomblé, e coisa e tal,...”. Mas ninguém “baixou a guarda” por que não dá para confiar que uma “coisa que era outra” não pode de repente virar contra nós: Nunca se sabe. Na dúvida, o povo de santo recomendou que ele fosse cuidar de outros projetos e abandonasse esse.
Cientificamente falando, uma religião é um conjunto organizado de crenças, sistemas culturais e visões de mundo que relacionam a humanidade à espiritualidade, ao sobrenatural, servindo de base a formação de uma conjuntura específica de valores morais. Muitas religiões têm narrativas, simbolismo e histórias sagradas que se destinam a criar sentido à vida ou a situar o homem dentro de uma concepção tradicionalista visando explicar a origem da vida ou do Universo. A partir de suas crenças sobre o cosmos e a natureza humana, as religiões definem conceitos de moralidade, a ética. As leis religiosas são fontes de educação e de estilo de vida. De acordo com algumas estimativas, existem cerca de 4.200 religiões no mundo. Um delas é a nossa Religião dos Vodun, que comumento nós também chamamos apenas de Vodun.
Contrariamente ao que se divulga o Vodun não tem como característica “jogar feitiço” nem “lançar magias” sobre quem quer que seja. O Vodun é apenas um culto espiritual do qual uma parte espaço-temporal importante é dedicada ao culto dos antepassados. Mesmo que a origem da humanidade e da criação do mundo tenha as suas referencias também explicados pela mitologia Vodun, essa questão não se reduz a tessitura de teorias centradas da fé. Os seguidores acreditam que a resposta para tal questão está além do alcance humano. A prioridade dada aos antepassados ​​está estreitamente ligada questão da senioridade espaço-temporal. Assim como os povos Iorubá-Nagô, os Fon no seu culto Vodun atribuem o domínio da Verdadeira Sabedoria aos mais Velhos, ou seja, aqueles que nasceram primeiro, com prioridade para os que passaram por aqui antes de nós. E é por isso que seguem com esse princípio até o limite intangível espaço-temporal. É assim que os que hoje vivem, buscam a interseção dos antepassados junto ao Todo-Poderoso em nome de suas famílias e descendentes. Sem pregar desrespeito a qualquer outra forma de crença, essa é a forma Vodun de alcançar o favor do Criador Todo-Poderoso. Ainda para o crente Vodun, o Bakono, com a ajuda dos espíritos dos que já foram, têm esse acesso. Por isso é que uma das interpretações da palavra Vodun é concebida como: “O espírito daqueles que passaram antes de nós.” Aqui nas Terras do Novo Atlântico, na ponta de cá do Golfo do Benin, no Reduto Sagrado do Culto Vodun, e mais precisamente, no Tempo Savaluno Kwe Vodun Zo, o Bakono é o Doté Amilton Sacramento Costa, ou Amilton do Curuzú , o Nosso Amilton de Sogbo, Nosso Humbono de Adaen, que nos lidera na luta pela preservação e brilho da Religião Vodun Savalú.
Na foto que ilustra essa modesta inserção o Humbono de Adaen compartilha a imagem com Ebomi Nice de Oya, em plena comemoração do Bembé do Mercado em Santo Amaro da Purificação, na noite de 10 para 11 de maio desse ano de 2013.

A Benção Humbono!
A Bença Ebomi Nice!
Vodun Zo....Awoboboe!!!!!

Referencias
:
1.      Religion; http://en.wikipedia.org/wiki/Religion Acesso: (acessado em: 28/05/2013);
2.      West African Vodun Acesso: https://en.wikipedia.org/wiki/West_African_Vodun
 (acessado em: 28/05/2013);
3.      Foto tirada peo Dofono George Sogbosi na note de 10 para 11 de maio em Santo Amaro da Purificação, BA.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Nagô-Vodun no Espaço-Tempo Jeje: E do xwégbé!



A tradução para o Português da expressão em Fon que complementa o título desse post é: Ele está em Casa!
Essa é a posição do Jeje Savalu no Kwe Vodun Zo quando a questão colocada é a eterna polêmica mantida entre aqueles que defendem a tese de que o Culto aos Vodun é um domínio ritual restrito aos povos Ewe-Fon, e aqueles outros que defendem uma tese alternativa que coloca o Culto Vodun como uma composição entre as influencias Iorubá e Ewe-Fon. É que o que realmente importa ao Vodun-se, é o que está no centro do Culto ao Vodun: O exercício da ritualística que trouxe essa manifestação religiosa-cultural através dos milenios e das manifestaçoes violentas colocadas por religiões oficiais e oficioasas, até os nossos dias ou seja: O que vale é a força do Culto e da Prática Natural Vodun.
Sem responder nada para ninguém ou a quem interessar ou desinteressar possa é importante, contudo, esclarecer que o Vodun não é uma seita ou bruxaria ou magia ou o que quer que seja denominação que os prepostos da luta pela derrocada das Culturas Tradicionais tentem associar a nossa Cultura. O Vodun não é "magia", "feitiços", "Hocus Pocus",”bonequinhas”, ou qualquer dessas referencias maldosas feitas pela indústria cinematográfica de Hollywood.Ou seja, nenhuma dessas terminologias engraçadas nascidas da incapacidade ocidental quanto a compreender a Natureza da Religião Vodun, chega perto da manifestação Vodun. O Vodun é uma prática religiosa e cultural iniciática. Não tem nenhuma fundamentação teórica que leve o interessado a ser especializado no Vodun. O caminho do Vodun inclui iniciação, humildade, respeito, paciência e perseverança como virtudes que funcionam como chave para a Felicidade e a Plenitude.O Vodun é uma tradição ancestral de incorporação coletiva da natureza, em que a transformação espiritual é alcançada através da comunhão direta com os Deuses os Voduns representativos do Cosmo encarnado e testemunho da evolução africana de gerações que se sucedem em círculos através dos planos que se alternam entre as dimensões que englobam do material ao onírico,passando pelo etéreo e transcendendo a corrente do tempo. Os Fon fariam as seguintes referencias para sugerir a presença Vodun:
E do xwégbé : (Está em casa)...E dò zan jí : (Está sobre o leito); E dù nŭ : (Ele come);
E gbélé wu éyè dé' : (Ele se auto-flagella); E gbòn dŏn : (Ele se foi) E gnon nou wé (É o melhor para você); E gosin coutonou : (Ele vem de Cotonu); E ha só jí (Ele sobe a montanha); E hun tadù kpèdé : (Ele é um pouco louco); É jawè Togo : (Ele vem do Togo) É jló mì : (Eu os amo)..... E jὲ nε  (É Tudo).
Assim, Honra e súplicas também são feitas, pedidas aos concedido aos Antepassados ​​que evoluíram, e aqueles que estão em processo de evolução, bem como aqueles que viveram vidas que foram ambos distinguidos,quer sejam por atuações infames, quer sejam por atuações notórias são todos integrantes de uma da mesma . Conjunção Cósmica na qual as Leis tem o alcance de um Grande Livro cujas lições podem ser aprendidas igualmente por vários caminhos determinados pela Conjunção Mawu-Lisa, Maior Vodun de todos os caminhos.
Aproveitando essa oportunidade colocamos que o ato tão comum aqui na nossa Bahia de atribuir a Cidade Sagrada de Ile Ife (dos nossos ancestrais Iorubás), o papel de Centro das Religiões Africanas esclarecemos que essa concepção está fundamentalmente equivocada.  Ile Ife é a “Meca”  para as Religiões e credos Ifa'Orisha. Não há uma só “Fé Vodun única na África Ocidental que promova "peregrinações sagradas" para Ile Ife. A maioria dos Egbes (Sociedades) da África Ocidental Vodoun não falam nem entender a Língua Iorubá , e, certamente, não reconhecem Ile Ife como a Casa Ancestral da religião Vodun. O que mais se aproxima de uma “peregrinação relgiosa” na religião Vodun são as celebrações anuais realizadas no Benin no mês de janeiro e que são patrocinadas pelo Comunidade Nacional do Culto ao Vodun, uma entidade do Benin, e outros Egbes locais Os Ewe, os Mina, Kaybe e alguns outros povos adoradores do Vodun não participam desses eventos. Eles mantêm suas próprias celebrações ancestrais no Togo.
A religião Vodoun é muito diversificada e está longe de ser as representações monolíticas retratados no Ocidente.

REFERENCIAS:

1.       Furé, R. M.;(1976); Diálogos Imaginários:  Notes on Those Called Arará and Mina in Cuba;
2.      Ortiz, F; Los Negros Esclavos. La Habana, Revista BimestreCubana, pp 26-28; Pedro Deschamps Chapeaux. "
3.      Common Misconceptions About Vodun (2013); Vodun Origins; Mami Wata Healers Society of North America; Acesso: http://pub47.bravenet.com/faq/show.php?catid=97&usernum=3951612168#q12 (acessado em 19/02/2013);

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Humbono Ṣaşa !



Ago nu Kwe!

Nanã bere hun bere, Nanã bere hun bere!

Pedimos Licença para usar o jargão Nago-Vodun, para saudar Todos os Ancestrais na pessoa do Primogênito Absoluto Kwe Vodun Zo, a frente da Cerimônia, faz brilhar o júbilo da família Heviosso. É dia de festa! No dia 28 de Outubro de 2012, dia dedicado a Nanã e seus filhos. Nasce um novo Apokan.
A importância de Nanã para a preservação do axé pode ser evidenciada por uma história da mitologia Ewe-Fon: Segundo a tradição dos povos Fon/Ewé o mundo foi criado da seguinte maneira: “Nanã Buruku (ou Nanã Buluku) com a ajuda das Serpentes Aido Wedo e Dangbala foi quem criou o mundo e deu vida aos animais, a flora e aos minerais”. Após criar o mundo, Nanã deu origem a gêmeos a quem batizou de Mawu-Lisa e deu a eles a tarefa de criar o homem e povoar a Terra.
Com a criação do par Mawu-Lisa, Nanã criou o equilíbrio no mundo e aos seres vivos.
Na matéria de Culto de Nanã, Sakpatá é o grande Ayi-vodun do panteão Ewe-fon, por isso intitulado Ayinon é o Rei do Mundo (que os Iorubás se referem como Obalúayé, literalmente o Senhor dono do mundo), originariamente Vodun Senhor da varíola e de inúmeras enfermidades contagiosas que deformam o corpo. Todo o povo fon o teme enormemente e o cultua fervorosamente e possui uma grande quantidade de representações, cada uma sendo um aspecto de doenças e infecções.

Dahomε a keté Aguntan !




sexta-feira, 24 de agosto de 2012

I Seminário do Terreiro Vodun Zo




Tema: A importância dos Projetos Sociais e Culturais nos terreiros de candomblé

Data: 01 de Setembro de 2012 (Sábado)

Programação:

MANHÃ

08h00min min – Credenciamento
08h15min min – Café da Manhã
09h00min min – Abertura do Event0 – Saudação dos Atabaques
09h00min min – Formação da Mesa
09h30min min – Fala do Dote Amilton de Sogbo – Boas Vindas
09h45min min – Palestra:
“A importância dos Projetos Culturais para os terreiros de candomblé”.
Palestrante: Jaime Sodré

10h45min min – Palestra: “De que maneira os terreiros de candomblé podem impulsionar a criação de políticas públicas para a comunidade”.
Palestrante: Uibiraci Matildes

Almoço – 12h00min min às 13h00min min

TARDE

13h00min min – Apresentação de Capoeira
14h30min min – Palestra: “A importância dos Projetos Culturais para os terreiros de candomblé”.
Palestrante: Jorge Portugal

15h30min min – Lanche
16h00min min – Palestra: “Autoestima e Empreendedorismo”
Palestrante: Negra Jhô
16h30min min – Encerramento – Apresentação de Vídeo
17h30min min – Coquetel de encerramento





 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vodun, fonte multimilenar da vida e da abundância

Nós, Afro-descendentes no Novo Mundo, devemos muito ao Haiti, uma república independente, orgulhoso desde 1804. Como resultado de sua vitória, O Vodu haitiano, tendo suas raízes ancestrais em muitas religiões indígenas da África Ocidental, é a religião de matriz africana mais conhecida Africano que sobreviveu e floresceu no Novo Mundo. Felizmente a “ Religião do Vodu” persiste pujante e orgulhosa da sua origem milenar. Essa Religião é a fonte de enriquecimento espiritual e elevação da natureza trazida para o nosso Novo Mundo pelos povos Ewe, um grande grupo Gbe falantes, do qual os Fon, os Mina e os Adja são subgrupos. No entanto, vários são os estudos que apontam para um grupo progenitor comum a todos esses: O grupo Ketu ou nação Ketu que foi um grande reino que hoje se chama Benin (não confundir com a República do Benin) e é a capital do estado de Edo, na parte sul da Nigéria. Relatos orais fazem referencia a existência da Religião Vodu em Ketu desde o século XI, muito antes da expansão do império Oyo. A religião Vodu existia nesta região por mais de 300 anos, até que expansão do império Oyo que a tensão levou a conflitos e a migração progressiva do Ewe e dos Fon e os grupos Gã para o sul.
O fato é que o Vodun não é extensivamente pesquisado nas Américas, com exceção do Brasil,Haiti e, talvez parte de Cuba e dos Estados Unidos. Em adição a essa realidade de desvalorização de uma riqueza, não existe qualquer mivimento intelectual no sentido do resgate histórico de informações perdidas em conseqüência direta da repressão violenta as religiões dos povos africanos escravizados, como parte da campanha de aniquilação cultural em favor da aceitação da sua “ condição inferior”.
Felizmente, a religião Vodu dos nossos ancestrais diretos, os Ewe e outros grupos da África Ocidental escravizados na América, que trouxeram a religião Vodu diretamente da África Ocidental, permanece a custa da nossa força, aqui no Brasil, rebatizada em conseqüência da sua evolução histórica, tomando a denominação Jeje-Nagô. Mas infelizmente, muitas linhagens espirituais de Grandes Famílias Reais dos Voduns morreram em outras partes das Américas, nos roubando, certamente, a oportunidade de partilhar riquezas e sabedorias incomensuráveis.
Por enquanto, vamos manter a entrega da nossa causa à sabedoria de Sogbo. Sabemos que o absoluto Sógbó costuma punir os malfeitores e feiticeiros, e sempre pratica a justiça. É conhecido pelos mahis com a denominação de Sógbó Adan, ou seja: Corajoso Sógbó, diferenciando-o. Assim como o tovodun (Vodun das águas) Avelékété, da praia, do mar e da chuva forte é considerada a esposa de Hevioso, Öya (òrisà nagô) também é considerada a esposa de Sógbó Adan pelos mahis.
Seus filhos são: Djakuta (também conhecidos como Adjakata; Jakata; Jakuta), Aklombe (ou Akolombe), Gbwesu (ou Besu), Akele, Alasan, Gbade (Bade), Aden, Kunte e Agbolensi. Todos pertencendo à família Jivodun (voduns do céu), e todos voduns do raio.
Quando Sógbó Adan dança com seu sokpè, imita os ráios caindo sobre a terra, em ligeiras quebradas na dança. O que é exemplificado por esta toada muito conhecida nos candomblés de Jeje Mahi no Brasil:
Nós???? Somos do Culto Savaluno, ou Jeje Svalú, como também somos conhecidos.

Sógbó Adan tá nu sá gba owè,
(A cabeça do corajoso Sógbó vai até a coxa na quebra da dança,)

Sógbó Adan tá nu sá gba o.
A cabeça do corajoso Sógbó vai até a coxa, na quebra.”
Referencias:

1) Fonte: http://papoinformal.wordpress.com
http://vodunabeyemanja.blogspot.com.br/2011/04/xangoheviosonzazi-parte-vi-sogbo.html

2) http://www.mamiwata.com/Ewe.html

3) Foto: http://www.infohub.com/vacation_packages/26352

.html

domingo, 19 de dezembro de 2010

“ – A do xwegbe a? Enn, un do xwegbe... – ” Salve os novos!!!


A bença todos os Mais Velhos !
Agô Egbon mi Monazile Jaime Sodré!
Agô aos Inkice,Orixás e aos Voduns
Ago mojuba gbogbo Eledá ti da awọn Baba ati Iya Arugbo ni Asa t´nbe ni ilê Afrika nbi ati kaakiri l´ayê !
O título desse texto tenta reproduzir foneticamente um diálogo muito comum, ao dia-a-dia dos povos Fon da (atual) República do Benin, que para nós negros Ewe-Fon-Nagô na Diáspora, ainda é, e sempre será o Reino do Daomé. As frases, se colocadas em português reproduzem o seguinte diálogo:
“– Você se sente em Casa ? Sim, me sinto em Casa... –
Aquele mesmo título, agora já parte do corpo do texto em sua seqüência sinaliza a resposta da nova geração ao chamado dos Voduns na Divinizada condição inconteste de Fonte da diversidade da Natureza Universal na Cosmogonia Ewe-Fon-Nagô. É alentador sentir que os novos, os jovens das Religiões de Matrizes Africanas respondem aos chamados das Forças da Natureza Divinizadas. Os jovens da Religião Savalú no Kwe Vodun Zo, tem respondido ao chamamento Vodun em consonância com o título dessa peça textual.
Manter e levar adiante a Cultura Jeje-Nagô e mais especificamente a tradição Savalú, para os que vivem a sua juventude nos dias de hoje, do computador ligado a internet trazendo as novidades de um mundo globalizado, da cultura descartável e massificada, da comida industrializada e impessoal, sem marca e sem história própria é tarefa para escolhidos. Não vamos aqui propor ou reclamar para os novos que já trabalham pela preservação da Religião Savalú uma qualidade diferenciada se comparados a quaisquer outros jovens em quaisquer outros segmentos da sociedade humana. Vivem os mesmos conflitos, os mesmos anseios, as mesmas dúvidas, as mesmas rebeldias, etc.: O que podemos, como parte dos grupos dos mais velhos, é tentar orientar os passos dos jovens, com base nos ensinamentos dos nossos mais velhos, sempre contando com a inspiração da Onipresença Vodun, e com alegria silenciosa e Fé, observamos o trabalho dos jovens integrados a proposta de preservação da Religião,ou seja, no caminho da compreensão de que preservar uma cultura transcende o âmbito do desenvolvimento de programas e políticas para a preservação material de patrimônios e ícones físicos
É sempre oportuno ressaltar que Vodun não é Keto ou Nagô, apesar de ter recebido influencias dessas tradições e ter, por sua vez, também, influenciado aquelas tradições.Um exemplo rápido e prático é o “agdavi” que são asvaretas usadas para tocar os tambores, que por sua vez,são “rum, pi, e lé”, por uso de termos da língua Fon, e nao do Yourubá-nagô, como é comumente pensado.
Na cosmologia do Oeste Africano, o Vodun é o divino. E como divindades especificas da ligação entre o homem e a terra estão cosmogeneticamente e biologicamente ligadas a cada africano através do seu cordão de ancestralidade. Como tal, nenhum indivíduo ou grupo pode "se disscociar voluntariamente" dessas divindades. Os africanos que foram importados e vendidos para os estados americanos foram transportados diretamente da África Ocidental É só verificar que na a costa do Benin passou a história infame do tráfico de africanos com o nome de Costa dos Escravos. Assim, todos que para cá vieram pisaram a terra do Vodun, ainda que trazendo no “orí” as especifidades das suas "cultura dos orixás" já que para nós não existe a dicotomia religião –cultura.
Os dois maiores grupos primários de africanos que foram transportados diretamente da África Ocidental para os Estados Unidos, para quem a religião Vodu logo sobreposição, foram provenientes do Congo e do sudoeste, na Nigéria. Os maiores grupos Oeste Africano importados para tanto para Cuuba e Brasil, e Estados Unidos, qforam os que realmente trouxeram a religião Vodu com eles.Foram os Ewe-Fon e os grupos Nago a eles associados. Os "grupos de Nago do Daomé" eram os adoradores Vodoun-iorubá que compuseram a inter-etnias (Ewe-Fon, de Edo, ibo, Ijaw e outros), ou sub-misturas, que estavam há muito tempo estabelecido em Badagry, Benin e sul de Togo.
Vivemos um tempo especial: Se por um lado a globalização se consolida com sua característica voracidade que exige da nossa parte um esforço mais concentrado no sentido de preservar os valores à salvo, essa mesma globalização estende uma ponte de acessibilidade mais pronta entre os continentes. Se não Vejam: Tendo por volta dos 14 anos de idade (aproximadamente em 1875), Martiniano do Bonfim faz uma viagem com o pai à África e aí aperfeiçoa seu yoruba e inglês, que aprende numa escola de missionários ingleses. Quando volta ao Brasil, 11 anos depois, Martiniano já é um Babalawo. Martiniano que era conhecido pela “dijina” Ojé L´ade, quando voltou da África era o Babalawo Bamboshe Obitiku. Hoje, no dia em que estamos redigindo essa peça textual, cerca de 70 artistas negros brasileiro estão participando do 3º Festival de Arte Negra em Dakar, no Senegal. É por essa ponte que vamos transitar entre os dois lados do Atlantico na promoçao do estreitamento entre nossos dois povos que na relaidade são partes de um só organismo, tarefa que ora planejamos, e iniciaremos mas que a manutenção será tarefa dos nossos jovens. A felicidade dos mais velhos de hoje gerada pela sensação de continuidade da tradição levada pelos novos de hoje , caminha para um comunhão com a felicidade dos antigo de ontem, que sentiram o mesmo em relação a nossa participação:
O Vodun Vai continuar!!!
Na foto da esquerda para a direita: Dofono George, * Ekedi Eliene e o Tesoureiro Jorge.
(*)A palavra ekedi, ou ekejí, vem do dialeto ewe, falado pelos negros ewe-fon. A palavra "ajoié" é correspondente feminino de ogan pois, Portanto, o correspondente yorubá de ekedi é ajoié, onde a palavra ajoié significa "mãe que o orixá escolheu e confirmou".
Referencia
http://paulodeoxala.sites.uol.com.br/html/jeje.htm